27/01/16

Gino-Canesten, 1 ou 6 comprimidos vaginais? e o período?

Candidíase vaginal continua a ser um dos assuntos que leva mais mulheres a farmácia. Ultimamente varias pessoas fizeram me perguntas sobre Gino-Canesten, há uma pergunta que sinceramente não sei responder. Então decidi consultar o Bayer, laboratório do Gino-Canesten.

A pergunta é:
“Gostaria de saber se a eficácia é a mesma de Gino-Canesten 1 Comprimido Vaginal e de Gino-Canesten 6 Comprimidos Vaginais “.
Bayer respondeu:
“Em resposta à sua questão, esclarecemos que: Tanto o Gino-Canesten 6 comprimidos vaginais (cada comprimido contendo 100 mg de clotrimazol) como o Gino-Canesten 1 (1 comprimido vaginal contendo 500 mg de clotrimazol) têm como indicação terapêutica o tratamento da Candidíase vaginal recorrente.
Apesar da diferença na dosagem de substância activa contida nos comprimidos vaginais e na duração do tratamento, diversos estudos clínicos demonstraram que todas as formulações e regimes de tratamento são igualmente eficazes no tratamento da candidíase vaginal”.




Como pode ver pela resposta a eficácia parece ser a mesma. Pela minha experiência posso dizer que os médicos /farmacêuticos recomendam sempre Gino-Canesten 6 comprimidos vaginais ou Gino-Canesten creme 6 dias , assim o tratamento é mais suave. No caso do creme é a melhor opção, porque assim para alem de introduzir creme dentro da vagina consegue aplicar o creme por fora para eliminar a comichão.



Outra pergunta que me fazem muitas vezes:

“O que fazer se o período / menstruação esta para vir e não tem tempo para completar o tratamento?”

Como referi há pouco normalmente recomenda se Gino-Canesten 6 comprimidos vaginais, mas no caso de o período estar para vir deve aplicar Gino-Canesten 1 comprimido vaginal.
O Gino-Canesten não é eficaz no período, porque o comprimido vai ser expulso pelo fluxo de sangue. Se no entanto começou a fazer Gino-Canesten 6 comprimidos e veio o período, aconselho acabar o tratamento na mesma, e depois do período vê se fez efeito ou não. Se não fez, terá de repetir o tratamento.


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17/01/16

INTERRUPÇÃO MEDICAMENTOSA DA GRAVIDEZ - Aborto

Desde 2007 o aborto em Portugal foi despenalizado, a partir desta data é a mulher (16 anos de idade) é que decide o que quer fazer. Prazo legar para a interrupção da gravidez por opção da mulher pode ser realizado nas primeiras 10 semanas de gravidez, calculadas a partir da data da última menstruação. Ou até às 16 semanas de gravidez em caso de violação ou crime sexual, não sendo necessário que haja queixa policial.

Vou explicar os passos a seguir e o processo em si.

Primeira coisa a fazer é confirmar a gravidez com uma ecografia, pode ser feito no medico da família ou medico privado. Depois disso a mulher deve dirigir-se ao Centro de Saúde a que pertence ou ao Hospital da sua área e pedir uma consulta de interrupção de gravidez. Sera encaminhada para consulta prévia. Nesta consulta vai falar com o medico/psicólogo que vai avaliar a sua decisão e perguntar as suas razoes e no caso de haver algumas duvidas vai tentar ajuda la, mas de qualquer maneira a opção é sempre da mulher. Nesta consulta pode marcar a data da interrupção, É obrigatório para todas as mulheres um período de reflexão de 3 dias, entre a consulta prévia e a data da interrupção da gravidez. Ser-lhe-á entregue o impresso do Consentimento Livre e Esclarecido que tem de preencher em casa e trazer antes da realizar a interrupção.

No dia da interrupção vai ser atendida por uma medica que vai confirmar se quer avançar com o processo ou não. Se sim, vai lhe dar a medicação que vai provocar aborto (aborto com recurso a medicação chama se Aborto Químico). A interrupção medicamentosa da gravidez pode ser praticada até à 9ª semana de gravidez em regime de ambulatório.



EM QUE CONSISTE ESTE MÉTODO?


Consiste na toma de dois medicamentos diferentes:

O MIFEPRISTONE é o primeiro fármaco a tomar (interrompe a gravidez)
A PROSTAGLANDINA / MISOPROSTOL será administrada 36/48 horas mais tarde (expulsa o feto do utero)

O primeiro fármaco consiste no comprimido mais importante que sera tomado na consulta a frente da medica, também serão lhe entregue 4 comprimidos vaginais de Misoprostol que tem de introduzir em casa na vagina passado 36/48 horas.

Os efeitos da interrupção medicamentosa da gravidez são comparáveis aos de um aborto espontâneo e incluem hemorragia e dores abdominais ligeiras ou moderadas. Por vezes podem ocorrer náuseas, vómitos e diarreia. A hemorragia, como a de uma menstruação, pode durar alguns dias. Isso é o que vai sentir no primeiro dia, em principio não vai atrapalhar a sua vida normal.

No primeiro dia também vai ter de tomar um antibiótico, para prevenir complicações. Ben-u-ron / Brufen  para aliviar dores e febre e Motilium para avaliar enjoos provocados pela medicação.

Raramente a expulsão dar-se-á logo na 1ª fase, após o primeiro medicamento, por isso é obrigatório não esquecer de introduzir os óvulos. Em cerca de 60% dos casos o aborto ocorre nas 4 horas seguintes à toma do segundo medicamento. Em cerca de 40% dos casos o aborto terá lugar nas 24 a 72 horas seguintes à toma do segundo medicamento. Esta fase do tratamento é a pior, vai sentir imensas cólicas, perdas de sangue, vómitos, diarreia durante algumas horas e depois passa. É normal haver um sangramento vaginal ate 3 semanas

É obrigatória uma consulta médica de controlo 15 dias após a toma dos medicamentos, para verificar se a interrupção foi bem sucedida e sem complicação. Probabilidade de falha do método é de 2 a 5%, neste caso pode ser necessário uma intervenção cirúrgica (aspiração/curetagem) para tirar os restos. Nesta consulta também vai aconselhar lhe o método contraceptivo mais adequado. A mulher não deve ter relações sexuais com penetração vaginal até terem passado pelo menos 15 – 30 dias.

Tendo em conta que os riscos de uma interrupção da gravidez são tanto menores quanto menor for o tempo de gestação recomenda se fazer o aborto o mais cedo possível.

As complicações são raras, menos de 3% de casos. No entanto, se nos dias seguintes à interrupção da gravidez a mulher tiver febre, com temperatura superior a 38ºC, perdas importantes de sangue, fortes dores abdominais ou mal estar geral acentuado deve contactar rapidamente o medico, pois pode tratar-se de uma complicação.

Entre as complicações do aborto destacam-se as hemorragias, as infecções e evacuações incompletas, e, no caso de aborto cirúrgico, as lacerações cervicais e perfurações uterinas.

Não há evidência de que um aborto sem complicações tenha implicações na fertilidade da mulher, provoque resultados adversos em gravidezes subsequentes ou afecte a sua saúde mental, portanto não vai afectar-la se quiser ter filhos no futuro.
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